Fechamento de rota no Oriente Médio ameaça comércio global e petróleo

  • 21/07/2026
(Foto: Reprodução)
Fechamento de mais uma rota de comércio no Oriente Médio revela desafio extra para a venda de produtos como petróleo e alimentos É justamente em uma das regiões mais conflituosas do planeta que estão três gargalos marítimos considerados cruciais para a economia mundial: o Estreito de Ormuz, o Estreito de Bab el-Mandeb e o Canal de Suez. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Essas rotas são fundamentais para o transporte de produtos como petróleo, fertilizantes, grãos e bens manufaturados. O fechamento ou a interrupção de uma delas pode aumentar o tempo e o custo das viagens e afetar o comércio global. O Estreito de Ormuz fica na entrada do Golfo Pérsico, no nordeste da Península Arábica. Do outro lado, na extremidade sudoeste da região, está o Estreito de Bab el-Mandeb, que separa o Iêmen do continente africano e funciona como porta de acesso ao Mar Vermelho. No território do Egito, foi construído o Canal de Suez, uma ligação estratégica entre o Mar Vermelho e o Mar Mediterrâneo. Desde o início da guerra, a Arábia Saudita, segundo maior exportador de petróleo do mundo, trabalhou para reduzir a dependência do Estreito de Ormuz e deslocar parte do escoamento da produção para o Mar Vermelho. Atualmente, cerca de 70% das exportações sauditas atravessam o país por um oleoduto e chegam ao porto de Yanbu, já no Mar Vermelho. Segundo o professor de Economia Internacional do Insper Roberto Dumas, uma interrupção nessas rotas teria impacto principalmente sobre os países asiáticos, que dependem fortemente do petróleo produzido no Oriente Médio. “A Ásia é muito mais dependente de petróleo do que a América. Então, praticamente, se você pegar entre Coreia do Sul, China, Índia, Taiwan, eles dependem de 70% a 90% do petróleo que vem do Oriente Médio”, afirmou Dumas. Para o especialista, o bloqueio dessas passagens pode pressionar o preço do petróleo, aumentar a inflação e manter os juros elevados por mais tempo, prejudicando a economia global. Mas o impacto do Estreito de Bab el-Mandeb vai além do transporte de petróleo. O estreito e o Canal de Suez formam um corredor marítimo que liga o Oceano Índico ao Mar Mediterrâneo e representa o caminho mais curto entre a Ásia e a Europa. Impedir essa passagem significa, na prática, aumentar a distância percorrida pelos navios. O Canal de Suez tem quase 200 quilômetros de extensão e costuma ser atravessado pelas embarcações em um período médio de 12 a 16 horas. A alternativa para um navio que sai da Ásia com destino à Europa é contornar a África pelo Cabo da Boa Esperança. O trajeto acrescenta milhares de quilômetros à viagem e pode deixar o percurso até 15 dias mais longo. Fechamento do Estreito de Ormuz e outras rotas. Reprodução/ Jornal Nacional Segundo o professor de Relações Internacionais da FGV Daniel Rio Tinto, a importância dessas rotas não está apenas no petróleo. “A gente está falando de todo tipo de transporte marítimo, seja de petróleo, seja de fertilizante, seja de grãos, seja de bens manufaturados. Qualquer coisa que você imaginar que vá da Ásia para a Europa essencialmente passa, ou uma grande porcentagem passa, naquela via marítima”, explicou Rio Tinto. GloboPop: clique para ver os vídeos do palco do Jornal Nacional Para o especialista, uma interrupção nessas passagens deixa de ser apenas um problema relacionado ao petróleo e passa a afetar diferentes áreas do comércio internacional.

FONTE: https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2026/07/21/fechamento-de-rota-no-oriente-medio-ameaca-comercio-global-e-petroleo.ghtml


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